Compreender para integrar
Psicotrauma: o que fica em nós quando algo foi grande demais
O que é, como se manifesta no corpo, nos vínculos e na identidade, e como trabalhamos com ele.
Travessia Humanística
O trauma não é o que aconteceu com você. É o que ficou dentro de você por causa do que aconteceu.
Gabor Maté
Você se reconhece em alguma dessas experiências?
Repito os mesmos padrões nos relacionamentos, mesmo querendo mudar.
Tenho reações intensas que parecem desproporcionais à situação.
Às vezes me sinto longe de mim, como se a vida passasse no piloto automático.
Carrego uma sensação de que algo está errado comigo, mesmo sem saber explicar.
Tenho dificuldade de confiar ou me abrir com outras pessoas.
Se algo disso soa familiar, vale olhar com calma. Essas experiências costumam ter raízes em vivências que deixaram marcas, mesmo quando não há lembrança consciente delas.
Fundamentos
O que é psicotrauma?
Psicotrauma não é só um acontecimento ruim. É o que fica em nós quando uma experiência ultrapassa a nossa capacidade de suportá-la e de lhe dar sentido, sem saída e sem ajuda.
Quando vivemos algo que nos sobrecarrega, seja um evento único ou uma situação prolongada, partes dessa experiência podem ficar “congeladas” no corpo, nas emoções e na forma como nos relacionamos.
O trauma não é fraqueza. É o modo como a psique e o corpo conseguiram sobreviver a algo que, naquele momento, era grande demais para ser enfrentado de outra forma.
O corpo guarda aquilo que a mente não conseguiu elaborar. Bessel van der Kolk dedicou um livro inteiro a isso, O corpo guarda as marcas. Mas guardar não é o mesmo que resolver.
Como o trauma se manifesta
Três dimensões do psicotrauma
O trauma não é apenas uma memória. Ele se expressa no corpo, nos vínculos e na própria sensação de quem somos.
No corpo
O sistema nervoso guarda as marcas do que vivemos. Tensões crônicas, reações de luta ou fuga, congelamento, dificuldade de relaxar. O corpo segue falando mesmo quando não há palavras.
Tensão muscular crônica | Dificuldade de regulação emocional | Hipervigilância ou entorpecimento | Sintomas sem causa médica clara
Nos vínculos
Nossas primeiras relações moldam como nos conectamos. Quando essas experiências foram marcadas por falta, inconsistência ou ameaça, os padrões de apego se tornam estratégias de sobrevivência.
Medo de abandono ou engolfamento | Dificuldade de confiar | Padrões relacionais que se repetem | Evitação ou dependência excessiva
Na identidade
O trauma pode fragmentar a experiência de quem somos. Partes de nós se desconectam para proteger o todo. O resultado é uma sensação de não saber quem realmente somos.
Sensação de vazio interior | Desconexão de si mesmo | Crenças negativas sobre si | Dificuldade de sentir prazer ou presença
Formas de experiência
Tipos de trauma
Nem todo trauma é igual. Compreender as diferentes formas ajuda a reconhecer experiências que muitas vezes passam despercebidas.
Trauma de choque
Eventos únicos e intensos: acidentes, perdas súbitas, violência. O sistema nervoso é sobrecarregado de uma só vez.
Trauma de desenvolvimento
Experiências prolongadas na infância: negligência, ambiente caótico, falta de sintonia emocional. Molda a estrutura da personalidade.
Trauma relacional
Feridas causadas justamente por quem deveria proteger. Cria padrões de apego que se repetem nos relacionamentos adultos.
Trauma de identidade
Quando a própria existência foi ameaçada ou rejeitada. Afeta a capacidade de se sentir real, presente e válido.
O trabalho terapêutico
Caminhos de integração
Trabalhar com trauma não é “superar” ou “esquecer”. É criar condições para que o que ficou fragmentado possa ser gradualmente integrado, no ritmo certo, com segurança.
Isso envolve criar um espaço onde o sistema nervoso possa relaxar, onde as histórias possam ser contadas e ouvidas, onde as partes desconectadas possam encontrar lugar novamente.
Não é um processo linear. Há avanços e recuos. Mas a cada passo, algo se reorganiza. O que antes dominava passa a ser parte de uma história mais ampla: sua história, contada por você.
O que buscamos no processo:
- Segurança e regulação do sistema nervoso
- Compreensão da própria história
- Integração de partes fragmentadas
- Novos padrões de vínculo
- Reconexão consigo mesmo
Os terapeutas
Quem te acompanha nessa travessia
Luciana Suliani
Terapia sistêmica e constelações
Trabalha com visão sistêmica dos vínculos e dinâmicas familiares. Facilita constelações familiares há muitos anos, explorando como os sistemas influenciam quem somos.
Paulo Suliani
Psicanálise informada sobre trauma
Integra a tradição psicanalítica com estudos contemporâneos sobre trauma, apego e neurobiologia. Facilita processos de IoPT e trabalha com a compreensão profunda das dinâmicas inconscientes.
Aprofunde-se
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Ninguém precisa fazer essa travessia sem companhia
O primeiro passo é uma conversa, sem compromisso, para a gente se conhecer.
