Psicanálise

Psicanálise: Sujeito, desejo e a história inscrita no corpo

A Psicanálise é uma das grandes tradições clínicas dedicadas a compreender como o sujeito se constitui a partir de suas experiências, de seus vínculos e de sua história inconsciente. Ela parte da compreensão de que não somos apenas aquilo que pensamos ser, mas também aquilo que fomos, aquilo que nos aconteceu e aquilo que precisou ser silenciado para que a vida pudesse continuar.

Desde Freud, passando por Winnicott, Bowlby, Ferenczi e Lacan, a psicanálise reconhece que o psiquismo se forma na relação com o outro. É no encontro com quem cuida, deseja, acolhe ou falha que o eu se estrutura. Quando esse encontro é suficientemente bom, a pessoa pode desenvolver um senso de continuidade, confiança e identidade. Quando há falhas graves, invasões, abandonos ou violência, o sujeito precisa se organizar a partir de defesas, cisões e sintomas.

O inconsciente, nesse sentido, não é apenas um repositório de lembranças reprimidas, mas um campo vivo onde continuam atuando as marcas dessas experiências. Sintomas, compulsões, dificuldades de relacionamento, angústias e bloqueios não são erros do sistema, mas tentativas do psiquismo de manter alguma forma de coesão diante de dores que não puderam ser simbolizadas.

Na Travessia Escola Humanística, a psicanálise é integrada ao trabalho com trauma, corpo e vínculo. Isso significa compreender que o sofrimento psíquico não está apenas na narrativa, mas também na fisiologia, na memória emocional e no sistema nervoso. A escuta analítica se amplia para incluir o corpo, os afetos, os estados de regulação e as formas de presença.

O processo terapêutico é visto como um campo relacional no qual transferência e contratransferência revelam não apenas histórias passadas, mas modos atuais de existir e de se proteger. Ao serem reconhecidas e vividas em um contexto de segurança, essas dinâmicas podem se transformar, abrindo espaço para novas formas de relação consigo e com o outro.

Nesse sentido, a psicanálise não é apenas uma investigação do passado, mas um trabalho vivo no presente, no qual o sujeito pode, pouco a pouco, deixar de repetir o trauma e passar a habitar sua própria experiência com mais liberdade, vitalidade e responsabilidade.

Porque tornar-se sujeito é também recuperar a capacidade de sentir, desejar e escolher a própria vida.