Textos da Travessia

Textos da Travessia é um espaço de escrita, reflexão e transmissão do pensamento que sustenta a Travessia Escola Humanística. Reúne textos autorais de seus facilitadores e colaboradores, nos quais teoria, clínica e vivência se entrelaçam para iluminar temas como vínculos, trauma, consciência e campo sistêmico. Não se trata de conteúdos prontos ou receitas, mas de uma escrita que nasce da escuta, da prática e do compromisso ético com o humano, oferecendo ao leitor um convite à reflexão e ao aprofundamento.


A Travessia Escola Humanística integra as Constelações Familiares ao seu trabalho com trauma, corpo e vínculo como um eixo fundamental para compreender como a identidade se organiza dentro dos sistemas aos quais pertencemos. Partimos da compreensão de que cada pessoa nasce inserida em campos relacionais e transgeracionais que moldam, muitas vezes de forma inconsciente, seus sentimentos, escolhas, sintomas e formas de amar.

Quando há exclusões, perdas, traumas, inversões de lugar ou destinos difíceis no sistema familiar, essas experiências tendem a se inscrever no corpo e na psique das gerações seguintes, gerando padrões de repetição, conflitos internos e sofrimentos que não encontram explicação apenas na história pessoal. Ao trabalhar as Constelações de forma sensível ao trauma e ao sistema nervoso, a Travessia cria espaços de reconhecimento, pertencimento e reorganização dos vínculos, nos quais movimentos de reconciliação e integração podem emergir, permitindo maior enraizamento, clareza e força para a própria vida.

A Travessia Escola Humanística integra a IoPT (Identity-oriented Psychotrauma Therapy), desenvolvida por Franz Ruppert, ao seu trabalho com trauma, corpo e vínculo como um caminho de reconexão com a identidade além das marcas do trauma. Partimos da compreensão de que experiências precoces de perda, abandono, invasão ou ausência de apoio fragmentam o eu, gerando sintomas e padrões relacionais repetitivos. Por meio do trabalho com intenções e representações, a IoPT permite que o corpo, o sistema nervoso e a memória emocional revelem essas dinâmicas e encontrem, em um campo de presença e co-regulação, novas possibilidades de integração, pertencimento e vida.

3. Teoria do Apego: Corpo, vínculo e a raiz dos nossos relacionamentos

A Travessia Escola Humanística integra a Teoria do Apego ao seu trabalho com trauma, corpo e vínculo como um eixo fundamental para compreender como a identidade se organiza nas relações. Partimos da compreensão de que as primeiras experiências de cuidado, presença ou ausência moldam o sistema nervoso, os vínculos afetivos e a forma como a pessoa aprende a existir em relação ao outro. Quando há rupturas, inconsistências ou ameaças nesses vínculos iniciais, formam-se padrões de apego que sustentam sintomas, dificuldades emocionais e repetições nos relacionamentos. Ao trabalhar o apego de forma sensível ao corpo e ao trauma, a Travessia cria espaços de base segura, co-regulação e presença, nos quais novas experiências de vínculo podem emergir, permitindo maior integração, confiança e enraizamento na própria vida.

4. Teoria Polivagal: A biologia da segurança, do vínculo e da cura

A Travessia Escola Humanística integra a Teoria Polivagal ao seu trabalho com trauma, corpo e vínculo como um eixo fundamental para compreender como a segurança, a conexão e a identidade se organizam no sistema nervoso. Partimos da compreensão de que o corpo avalia continuamente o ambiente em busca de sinais de segurança ou perigo e que essa avaliação, muitas vezes inconsciente, molda nossas emoções, nossos vínculos e a forma como nos relacionamos conosco e com os outros.

Quando experiências de ameaça, abandono ou invasão ficam registradas no sistema nervoso, a neurocepção permanece orientada para o perigo, sustentando sintomas, estados de defesa e padrões relacionais repetitivos. Ao trabalhar a partir da Teoria Polivagal de forma sensível ao corpo e ao trauma, a Travessia cria campos de segurança, presença e corregulação nos quais o sistema nervoso pode sair da defesa e retornar ao engajamento, permitindo maior integração, vitalidade e enraizamento na própria vida.

A Travessia Escola Humanística integra a Psicanálise ao seu trabalho com trauma, corpo e vínculo como um eixo fundamental para compreender como a subjetividade, o desejo e a identidade se constituem nas relações. Partimos da compreensão de que o psiquismo se organiza a partir das primeiras experiências de encontro, cuidado, frustração e reconhecimento, que deixam marcas profundas na forma como a pessoa aprende a sentir, desejar e existir em relação ao outro.

Quando essas experiências são atravessadas por falhas, invasões ou perdas, formam-se estruturas defensivas e modos de funcionamento inconscientes que sustentam sintomas, conflitos internos e repetições nos vínculos. Ao trabalhar a partir da Psicanálise de forma sensível ao corpo e ao trauma, a Travessia cria espaços de escuta, presença e elaboração nos quais essas dinâmicas podem ser reconhecidas e transformadas, permitindo maior integração, autonomia psíquica e enraizamento na própria vida.

Este texto é uma porta de entrada para o meu modo de trabalhar na Travessia. Nele, compartilho, de forma ensaística, o percurso que sustenta minha forma de escutar e acompanhar pessoas em seus processos de trauma, vínculo e identidade. Não se trata de um currículo nem de uma explicação técnica, mas de um relato sobre como a escuta, a palavra e a presença se tornaram o eixo da minha clínica.

Ler este texto é uma forma de conhecer o espírito do meu trabalho antes de conhecer suas propostas.

Neste texto, propomos uma reflexão clínica sobre as constelações familiares a partir de um retorno cuidadoso à obra de Bert Hellinger. Em vez de defender ou rejeitar o método, buscamos examinar como determinadas leituras formalizadas ou moralizadas podem obscurecer seus fundamentos fenomenológicos, especialmente em contextos atravessados pelo trauma. Em diálogo com a psicanálise e a psicotraumatologia contemporânea, a reflexão se orienta pela escuta do campo, pela atenção ao corpo e pela responsabilidade clínica na condução e na formação, sustentando a importância da diferenciação como eixo central do trabalho.

O artigo propõe um diálogo entre a teoria do apego e a teoria polivagal a partir do eixo da corregulação, compreendendo a experiência de sentir-se seguro com o outro como condição fundamental para a regulação emocional e para o trabalho psicoterapêutico. Sem buscar uma unificação teórica, o texto articula essas duas perspectivas de modo complementar, mostrando como padrões de apego e estados do sistema nervoso se informam mutuamente na clínica. A partir dessa integração, o artigo oferece uma leitura clínica que destaca a segurança relacional como processo vivo, corporal e intersubjetivo, sustentado no encontro entre terapeuta e paciente. O texto integral foi publicado originalmente em inglês no Journal of Contemporary Approaches in Psychology and Psychotherapy, volume III, número 3, em 2025.